Culpa da urna!

Lucy nunca suportou a tradição de todo domingo ter que almoçar com a sogra. Sua relação com os Martinelli já não era a melhor do mundo, e revelar uma contradição dessas seria uma afronta, principalmente à dona Albertina, mãe de Maximiliano, seu esposo, o mais novo entre os cinco filhos.

Num desses encontros dominicais de mesa farta, regada a muito vinho e deliciosas guloseimas, a setentona, sentada em sua exclusiva cadeira maciça, anunciou a todos os presentes seu desejo póstumo.

_Quando eu findar, espero que não tão logo, quero que você, meu caçula adorado, guarde minhas cinzas em seu quarto, na cabeceira de sua cama, como forma de proteção. Estarei sempre presente em sua vida, acompanhando seus passos.

A manifestação da matriarca criou um misto de euforia, surpresa e ciúmes dos quatro irmãos de Max, Nina, Luigi, Neno e Romeu, só interrompida por um forte engasgar naquela sala. Era Lucy, que precisou de muita água para conter o susto, evidenciando sua furiosa contrariedade.

Passado um mês, lá estavam todos a chorar pela velha querida, que acabara de bater as botas. A nora tentava convencer o quinteto de que a defunta ficaria bem melhor a sete palmos da terra, ao som dos passarinhos a cantarolar toda manhã no funesto jardim da paz.

Mas nem sua promessa de levar flores todos os dias no sepulcro da maledeta adiantou.  No mesmo dia, à noite, lá estavam ela, o marido e a sogra, demudada em pó, guardada numa urna sinistra, enfeitando a alcova do casal.

A partir daquele dia, a vida de Lucy não foi mais a mesma. Nem sequer os cremes importados e caríssimos eram capazes de esconder as olheiras de quem passou a dormir com um olho direcionado ao potinho medonho e outro semifechado. Quando ficava sozinha naquele quarto, tinha sempre a sensação de que o tal objeto a seguia, fazia barulho, gemia, uivava…

Ninguém nunca imaginou, mas ela tinha um amante, seu vizinho, que a visitava na ausência do marido. O rapaz passou a brincar com a situação, fazia strip-tease frente ao pote, cantava e dançava, tudo para descontrair a amada amedrontada.

Certo dia, após um forte vendaval sombrio que estremeceu toda a casa, a moça decidiu livrar-se das cinzas da megera e resolveu que as jogaria em um córrego qualquer. Assim o fez. Foi até um riozinho malcheiroso, rezou uma Ave Maria, um Pai Nosso, fez o sinal da cruz três vezes, abriu a urna, virou-a de cabeça para baixo e deu adeus ao tormento.

Assim que retornou ao carro, o motor parou de funcionar e o céu, literalmente, pôs-se a chorar. Trovoadas, relâmpagos e escuridão total, esse era o cenário daquela alameda vazia. Somente a ventania e o barulho das águas faziam companhia à mulher frente ao rio. Por sorte, passava um taxi. Lucy deu sinal e a motorista, senhora bem apessoada, parou. Ela adentrou.

Pelo retrovisor, a condutora, de olhar infinito, que lembrava muito o de dona Tina, conversava com Lucy, que ainda estava tensa com o desfecho dado ao que restara daquele pó sombrio.

Ao ler o nome da chofer no painel, Maria Albertina, o mesmo da sogra, Lucy teve uma profunda crise de tosse, tremenda falta de ar e um arrepio frio por todo o corpo. Na mesma hora, aproveitou o sinal fechado, deu o dinheiro para a taxista e nem quis o troco. Abriu a porta e desceu, pisando em uma grande poça que a fez tropeçar e torcer o pé esquerdo. Mesmo assim seguiu, sem olhar para trás.

Logo que saiu do carro, deu conta de que havia esquecido a urna vazia da falecida dentro do taxi. Apavorada, imaginando que seu marido a mataria se descobrisse sua façanha, precisava agir rápido e encontrar uma réplica na mesma funerária que ofereceu o material.

Produto idêntico, com os mesmos dizeres e homenagem à morta, seria confeccionado somente em duas semanas, a não ser que, tamanha urgência, Lu pagasse cinco vezes o valor real. O que já não era nada barato ficou o “olho da cara”, mas ela pagaria o que pedissem naquele momento, não teria outra saída. Dividiu a investida em 12 vezes no cartão, praticamente estourando seu limite.

Tudo pronto e igualzinho. Um pó qualquer foi colocado para fazer volume de corpo de sogra em cinzas. Lucy levou para casa a urna substituta e tratou de colocá-la em seu devido lugar.

Nunca mais a madama perdeu o sono! Sua pele voltou a revigorar e o tal pote genérico virou mera decoração no quarto do casal. Até voltar a transar com o marido ela voltou.

Passados alguns dias, os irmãos de Max e agregados se reuniram para a leitura do testamento. Além de algumas terras deixadas para o filho mais novo, dona Albertina direcionou uma carta de despedida para Lucy e uma passagem somente de ida à Austrália, onde a moça sempre sonhou morar.

_ Essa vai para a minha nora, que com certeza soube zelar pelos meus restos mortais com muita dedicação até este exato momento – iniciava o grande manuscrito.

_Ao meu querido Maximiliano Martinelli Júnior, deixo também um pen-drive, para ser aberto na presença de todos ao final desta leitura – escreveu a perecida.

Tão logo acabaram de ler toda a partilha dos bens, trataram de abrir o tal dispositivo eletrônico e todos ficam pasmos com o que viram.

Ao fundo da sala, o ruído de uma porta entreabrindo chamou a atenção dos presentes. A sombra de uma senhora com um véu na cabeça aparecia na contraluz. Era Albertina, em carne e osso, vivinha da silva, para espanto de alguns e alegria de outros.

Em sua preleção de boas vindas, Tina explicou ter forjado seu fim, para saber quem, de fato, a amava.

_ Tive boas surpresas e esperadas decepções – disse ela.

O pen adiantou parte de seu discurso, mostrando tudo o que uma câmera inserida na famigerada urna captou. Lembra-se do enamorado vizinho? Era o cunhando de Max, noivo de Nina, sua irmã.

Maldito potinho!

Meu ex me infectou e ainda me chamou de vagabunda

Pessoal, hoje o papo é sério. Vale a pena ler…

 

“ A única pessoa que eu devo confiar é em mim mesma”, essa foi a frase que Julia* disse, ao ser questionada sobre o que a Aids ensinou para ela.

Seu ressentimento é direcionado a um ex-namorado, que tinha o vírus da Aids, mas nunca disse nada para ela. Namoraram, terminaram, o tempo passou e, numa consulta de rotina, seu ginecologista pediu o exame anti HIV.  Deu positivo. Ela tinha 25 anos.

“Na hora fiquei assustada, porque não conhecia nada sobre a doença. No mesmo dia eu procurei o hospital Emílio Ribas e lá conversei com médicos e psicólogos. Daí, vi que não era o fim do mundo.

Logo que descobri contei para a minha mãe, meus irmãos e um namorado da época. Fui muito bem acolhida pela minha família, exceto pelo meu irmão (37), que mora comigo e tem preconceitos até hoje. Aliás, ele acha que se eu dormir na cama dele, no dia seguinte, ele vai ter a doença – é um idiota, só rindo mesmo”, conta.

 

Nunca tive uma vida sexual tão ativa

Desde que soube do resultado, tudo o que Julia queria saber era como foi infectada. “Nunca fui uma pessoa de vida sexual tão ativa, então conversei com os caras que eu tinha transado, todos foram comigo fazer exames. O único que se negou foi um dos ex, então, na época, conclui que tinha sido ele. Confirmei isso algum tempo depois. Jamais desconfiei dele ter a doença, mas hoje eu desconfiaria, porque ele tinha muita azia, coisas que eu também sinto às vezes, isso não quer dizer que todos os casos sejam assim. Tentei falar com ele, mas não quis me ouvir. Me chamou de vagabunda e tudo mais. Ok, é vida que segue”.

E a vida seguiu, Julia teve outros namorados e todos sabiam do seu diagnóstico. “Sempre contei logo de cara. Apenas um rapaz se afastou de mim e um outro, por quem me apaixonei, mas o preconceito falou mais alto. É bem o tipo de gente que não te conhece e te julga, sabe? Melhor assim, prefiro essas pessoas bem longe de mim”, desabafa.

Mas ela não ficou sozinha por muito tempo, logo conheceu Paulo*, pai do seu filho. “Ele sempre soube da doença, pois antes de se tornar meu namorado era meu amigo. Já a família dele nunca desconfiou. Moramos um tempo juntos e nos separamos quando meu filho, hoje com três anos, tinha um ano e 10 meses”.

 

Mesmo sabendo do vírus, ele nunca quis usar camisinha

 “Minha maior preocupação era infectar alguém. A primeira coisa que passou pela minha cabeça logo que eu descobri foi que jamais passaria isso pra ninguém. Mas o Paulo dizia que o sangue dele era forte. No começo isso me incomodava um pouco, mas passou. Tinha medo de passar o vírus, mas estava com a consciência tranquila, porque ele não se prevenia por vontade própria. Ele não foi infectado!”, relata. Vale ressaltar o alerta de especialistas sobre uso do preservativo para uma relação sexual segura.

 

Ufa, meu filho nasceu saudável!

“Nunca pensávamos na doença. Só fui pensar mesmo quando engravidei. Aliás, foi só aí que passei a tomar remédio. Tem gente que descobre porque já está passando mal e o vírus já afetou o sistema imunológico. Como descobri num exame de rotina e o vírus não afetou meu sistema imunológico, ou seja, não se manifestou, não tomava nada. Só que para não passar para o bebê, tive que começar a tomar remédio e continuo tomando, porque depois que começa não se pode parar. O bom disso tudo é que meu filho nasceu uma criança saudável e hoje é muito feliz. Ele só tem que passar por acompanhamento até os quatro anos, mas já teve alta do vírus. Meu sonho agora é vê-lo crescer e um dia ser avó!”.

 

Tem muita gente querendo passar o vírus por aí, cuidado!

“Faço parte de um grupo de pesquisa no Hospital das Clínicas. Frequentei muita roda de conversa. O que percebi é que 99% das pessoas infectadas fazem de tudo para passar para alguém, da mesma forma que alguém passou pra elas. É triste, mas é uma realidade. Então, por isso que eu digo sempre que a única pessoa que a gente deve confiar é na gente!”, finaliza Julia.

 

Texto: Claudia Rato

*Os nomes foram trocados para preservar a identidade da entrevistada

Casamento quase vai para o brejo após problemas com filho

Mulher tem que ter muito equilíbrio, força, garra, determinação e coragem, não é mesmo?

Nessa história, escrita pela jornalista Claudia Rato, autora do livro “Pra mim você morreu!”, uma mãe faz de tudo para cuidar do filho diagnosticado com autismo.

No meio dessa caminhada, crises conjugais surgiram, mas, com sabedoria e o instinto de mãe e mulher, o caso foi contornado.

Veja o texto na íntegra, publicado no Portal UOL: https://estilo.uol.com.br/noticias/redacao/2017/11/22/a-vida-me-permitiu-ser-filha-de-um-asperger-para-ser-mae-de-um.htm

Livro Pra mim você morreu faz parte de feira literária em Indaiatuba

Cerca de 30 escritores, entre eles a jornalista Claudia Rato, autora do livro “Pra mim você morreu!”, participam neste sábado (25) da Feira Literária no Shopping Parque Mall, na cidade de Indaiatuba (SP).

O evento faz parte do projeto Autores e Livros, idealizado pelo cartunista e escritor Moacir Torres.

O interessante é a diversidade de obras e categorias expostas, desde livros de terror, romance, quadrinhos, crônicas, infantis, dentre outros trabalhos.

Vale lembrar que o “Pra mim você morreu!” é uma coletânea de contos, com histórias divertidas sobre homens e mulheres que passaram por confusões embaraçosas temperadas por infidelidade, ciúmes ou puras paixões exacerbadas. E quem lê, recomenda! “Não tem nada de drama, tragédia, só risos”, explica a autora.

“Essa é mais uma oportunidade de mostrar o meu livro e até mesmo pegar algumas histórias para uma nova edição, afinal de contas, sempre tem alguém que aproveita a ocasião para me contar um ou outro caso”, finaliza a jornalista.

Vaja outros escritores que também participarão do evento: Marcos Otero, Antonio Penna, Airton Sobreira, Rodrigo Otaguro, Gustavo Huber, Cinthia Oliveira, Otanir Vaz Pinto, Renata Pilger, entre outros.

A Feira Literária acontece neste sábado (25), das 9h às 16h. O Shopping Parque Mall está localizado na Rua das Primaveras, 1050, Jardim Pau Preto, Indaiatuba. A entrada é franca e livre. Participe!

Homem é condenado a escrever 144 elogios sobre a ex

Quando estamos apaixonados não faltam elogios para falar sobre o nosso amor, não é mesmo? Ah, mas quando o namoro, casamento, ou seja lá o que for acaba, os galanteios se transformam em  “deslouvores”. Calma, não generalizemos, eu sei…

Foi assim, com uma série de palavras depreciativas que um rapaz do Havaí, de 30 anos, passou a tratar sua ex-namorada logo que o céu deixou de ser cor-de-rosa na vida do casal.

A moça recebeu 144 mensagens agressivas e hostis do ex, enviadas ao seu celular, mas não deixou barato. Levou o caso à Justiça e, como punição, o pobrezinho inconformado foi obrigado a escrever exatos cento e quarenta e quatro elogios sobre ela. Detalhe, ele não poderia repetir nenhum adjetivo.

E olha que o rapaz é reincidente. Pois é, segundo o jornal “Maui News”, ele já foi detido por descumprir medida protetiva, além de ter sido condenado a dois anos de condicional, pagar multa de US$ 2.400 e prestar 200 horas de trabalho comunitário. Será que dessa vez vai aprender a lição?