Neste Dia dos Namorados, homem declara seu amor à parceira: sua moto…

 

O bom de se relacionar com homem que gosta de moto é que você pode ficar tranquila, porque se estiver passando uma mulher “bem apessoada” na rua e, do outro lado, uma potente duas rodas, com certeza o amado vai esticar o pescoço para olhar a máquina de tanque, não a de peitos fartos.

A paixão de certos marmanjos por motos é grande e algumas situações causam estranheza. Nesta semana em que se comemora o Dia dos Namorados, ao questionar um rapaz sobre sua namorada, ele apontou para a motocicleta e, numa demonstração de carinho e afeto, disse que ela era a sua mais recente companhia, o que me fez deduzir, pelo seu semblante, que a bela de carne e osso provavelmente não tinha seguro e… foi levada por algum bandido apaixonante.

Suas justificativas em prol da nova “amada” foram tão profundamente explanadas que cheguei quase a acreditar numa relação homem-máquina, mas sabia que, no fundo, não passava de lamento sobre algo mal resolvido de um passado presente.

Ao apontar para a sua possante, o moço argumentou: “Ela, sim merece flores nesta data! Não é ciumenta e me dá menos despesa”. A próxima explicação foi rigidamente a mais encorpada na articulação das palavras: “Ela não me trai!”.

Pausa.

“Então, você foi traído?”, perguntei. “Claro que não!”, respondeu ele, e continuou a tentar me convencer de que havia feito a melhor escolha: “Ela me acompanha para aonde eu for, não me deixa na mão, não fica de TPM nunca e, o melhor, é afrodisíaca”, disse o rapaz, apontando para o emblema da sua BMW, insinuando que nós, mulheres, somos interesseiras, vê se pode!

O papo acabou e ele foi embora, depois de uma sessão de fotos, um tanto quanto românticas, entre ele e, digamos, ela.

Após o diálogo com o rapaz, mais tarde, fui a uma reunião espiritual oriental. Lá, uma palestrante relatava um “case” de sucesso de sua vida em torno do seu incômodo com algumas lagartas que adentravam em sua cozinha. Ela disse que certo dia resolveu conversar com duas delas, pedindo para que deixassem de visitar sua casa e que, por espanto, nunca mais apareceu uma lagartinha sequer em seu lar – foram namorar em outros ares!

Pra fechar aquela noite, um jovem me disse, em poucas palavras, que não gostava de falar com gente, porque tinha medo da reação das pessoas… Confesso que terminei o dia confusa! Acho que vou me casar com o meu papagaio! Ele só fala o que eu quero ouvir, está sempre de bom-humor, tem asas – mesmo assim nunca pensou em voar para outros ares, não tem conta no facebook, sem contar que tem um belo par de íris cor de mel.

No mais, feliz Dia dos Namorados a todos os casais apaixonados

“Quanto você quer ser feliz”? – Conselho de octogenária muda rumo de uma jovem mulher

Rosa, enfermeira, casada, 27 anos. Valfredo, farmacêutico, casado com Rosa, 32. Eles não têm filhos só um cachorro, o Wlad, que já era de Val, antes de se casarem.

A jornada de trabalho de Rosa sempre foi dura. Quando não estava de plantão no único hospital público da cidade que morava, cuidava de uma senhorinha rica, culta e solitária.

Na casa de dona Gertrudes, pegar numa injeção ou caixa de remédios era o que Rosa raramente fazia. Lá o bate-papo era a receita pra qualquer problema! Isso valia para as duas, porque dona Gê, com seus oitenta e poucos, gostava muito de uma prosa e tinha assunto pra tudo.

À frente do seu tempo, sempre fazia questão de se lembrar quando fugiu de casa, às vésperas de um casamento arranjado, com um homem 30 anos mais velho.

_Furtei algumas agulhas, linhas, uma tesoura bem afiada, umas boas ‘fazendas’ de minha terceira irmã (de uma série de dez, cinco mulheres e cinco homens) e, com alguns “réis” que eu havia ganhado do meu padrinho, consegui comprar uma Singer e costurar pra fora”, meus pais quase enlouqueceram _ disse, aos risos.

E assim viveu Gertrudes seus anos de exílio de uma das famílias mais tradicionais de sua época.

Foi a primeira e única dos Almeida Prado a fazer faculdade. Seu sonho sempre foi ser estilista. E assim foi. Estudou moda e foi para a França aprimorar seu talento. Lá conheceu um parisiense lindo, charmoso e educado com quem se apaixonou, paixão essa que logo deu lugar à desilusão. ” Você não precisa estudar. Fica comigo, que te darei tudo o que quiser”, disse o rapaz.

_Ele não era homem pra senhora _ comentou Rosa.

_Não! Eu é que não era mulher pra ele! _ respondeu.

Logo que regressou ao Brasil, já estilista conceituada, Gê foi chamada para trabalhar em um ateliê de alta-costura. Meses depois, lá estava ela, assinando as principais grifes da moda feminina, com seu estilo revolucionário e sensual de vestir a mulher brasileira, isso após passar por várias censuras, claro.

Algum tempo depois, Gertrudes conheceu Anastácio, um homem magro, alto, negro e dez anos mais moço. Ele era o motorista de uma fábrica de tecidos. Apaixonaram-se e se casaram. Viveram felizes por várias décadas, até o último suspiro do marido.

Com uma memória exemplar, essas e outras histórias fascinavam Rosa, que até esquecia da hora de ir embora, mas esse esquecimento lhe custava caro, porque a moça sempre tinha muito o que fazer em casa.

Ao contrário de Rosa, Valfredo chegava um pouco mais cedo do trabalho. Tomava seu banho e sempre estudava um pouco para as aulas de pós -graduação que fazia aos sábados. Também fazia inglês às terças e quintas-feiras. Ambicioso, queria subir na vida.

Rosa chegava, colocava sua bolsa na mesinha de canto da sala, lavava as mãos e já começava o preparo do jantar. Sonhava ser psicóloga, mas não tinha tempo, tampouco dinheiro para isso. Transferiu o sonho para o futuro do amado.

Ela gostava de tudo certinho em casa e sempre dava um jeito pra uma arrumadinha extra.

Perto de seu trabalho havia uma escola de dança – Rosa adorava dançar. Várias vezes foi lá para saber informações. Empolgada, contava a novidade para o esposo, mas Valfredo logo a desanimava, lembrando dos custos.

Embora ao lar do casal estivesse frequentemente limpo, Valfredo sempre conseguia encontrar um defeitinho, coisas bobas, desnecessárias de percepção. Rosa fazia, e bem fazia, o que dava, mas o tempo era escasso.

Mas Val queria mais: uma diarista que, segundo Rosa, além de inviável, seria algo caro de se pagar.

_Se não tem pra mim, que já faço tudo aqui e muito bem feito, como vai ter pra outra? _  questionava ao marido o fato de não ter dinheiro para suas merecidas aulas de dança, nem para as suas unhas, cabelo… _mas pagar quatro vezes mais esse valor para uma diarista, aí tem!_ reclamava a moça.

_Dá pra entender isso, dona Gê? Eu ralo no trabalho, minha casa está sempre um brilho, comidinha na mesa, não me sobra nem pra um dia no salão e ele quer bancar uma de patrão? Se é assim, paga pra mim! Mesmo indignada, aceitei. A mulher foi lá, fez um servicinho de merda, não contei nem duas horas de trabalho, pegou seu dinheirinho e foi-se embora. Quando o descarado chegou, ele disse: Agora, sim, isso que é arrumação. É mole, dona Gê? _  perguntou.

Eis que Gertrudes, mais uma vez, surpreendeu Rosa, não com suas histórias, mas com uma proposta inusitada.

_ Há quanto tempo você não arruma esse cabelo? A grana tá curta, mas pra faxina não está? Essa limpeza é a mesma que você já faz há anos, mas que para ele está sempre ruim? E o seu tempo, é curto porque você precisa vir aqui pra ouvir um monte de baboseira minha? Ora, pois. Agora sou eu quem vou pra sua casa! Pois bem, minha querida: a “diarista” que o seu esposo já tem e que não é valorizada, ele vai ter, só que a partir de agora vai pagar por isso! E não vai ser baratinho não, porque você não vai mais contratar uma qualquer…

_Vamos lá, só vou precisar de um bom banquinho, um chazinho e um ventilador para refrescar minha memória. Daí, enquanto você me escuta, arruma sua casa. Assim, continuará trabalhando para mim e para o seu “novo patrão”. Seu marido vai chegar e encontrará tudo arrumadinho, sem sequer saber que quem vai receber será você – detalhou a sábia octogenária.

_A senhora faria isso por mim? _ perguntou, empolgada.

_E você acha que eu vou perder essa? Claro que não! Mas você tem que me prometer que vai fazer sua matrícula e ficar linda.

Primeiro dia de faxina, lá estavam as duas no maior bate papo na casa de Rosa. À noite, quando Val chegou, disse: “agora sim a casa está limpinha. Olha esse brilho, esse chão, essa mulher é mesmo ótima. Vale a pena pagar pra ela!”.

_Com certeza, nada mais justo! _ respondeu Rosa.

Dia seguinte, sem plantão, nem trabalho em casa, Rosa foi fazer as luzes que tanto queria com a grana que juntou de duas semanas da faxina. Ficou linda! Amarrou o cabelo pra evitar questionamentos do marido, mas nem se preocupou tanto, porque ele nem notou, não teve muito tempo pra ver esse tipo de coisa, até porque estava preocupado se Rosa iria tirar a gordura na parede ao lado do fogão antes da próxima faxina paga.

E assim foram mais alguns dias de limpeza, visita de dona Gê em sua casa e muito assunto interessante e inspirador daquela simpática senhorinha, até um dia a velhota perguntar para Rosa o quão feliz estava naquela casa.

Eis que Rosa silenciou. Seus olhos voltaram-se para um tempo distante, onde sentia a brisa do vento bater em seu corpo, sem sentir frio na alma.

Respondeu com uma frase: _Quanto nada!

_Então, por que raios estás aqui? Quanto queres ser feliz?

_Quanto tudo!!!

Dona Gê levantou-se da cadeira e andou por toda a casa. Deslizou seus dedos macios e enrugados na estante da sala, sobre a geladeira, agachou feito moça atleta no chão e mostrou seu indicador intactamente limpo.

_ Felicidade não se mede assim! A vida é feita de momentos, bons e ruins, alegrias e tristezas, mas, pra encará-la, é preciso cumplicidade, só assim se é feliz! – disse à moça.

Rosa enxugou algumas lágrimas do rosto, tirou seu avental, jogou um pano que estava na mão, pegou uma caneta, um pedaço de papel amassado e escreveu:

Senhor Valfredo, meu patrão, fui ser feliz, mas não se preocupe, diarista você encontra em qualquer lugar.

Assinado: Rosa

Fez suas malas, despediu-se de Wlad e, sem olhar pra trás, foi atrás dessa tal felicidade!

Amante cria perfil fake e desmascara o amado

Infidelidade tornou-se palavra comum no cotidiano de Arnaldo*, 51 anos, vendedor. Nos últimos 10 anos, desde que se casou com Marta*, com quem vive até hoje, perdeu a conta de quantas amantes teve, gabando-se dessa “proeza”.

Só que em sua última relação extraconjugal ele se deu mal, sendo desmascarado pela namorada, que testou a lealdade do amado e acabou se decepcionando demasiadamente. Ela não sabia que ele tinha uma esposa – e nem soube. Esse não foi o motivo da sua desilusão.

Acontece que essa moça, com quem Arnaldo estava se relacionando havia seis meses, passou a desconfiar dele. Resolveu, então, criar um perfil falso na rede social e o convidou para conversa. Ele aceitou. Foram quatro dias de namoro virtual, até marcarem um encontro e ela se apresentar como a fulana de tal com quem ele flertava pelos últimos dias. Resultado: terminou o namoro e o deixou arrasado. “Me senti traído. Essa mulher por quem eu estava realmente apaixonado me deixou, e agora fiquei sem chão, me sentindo só. Mas continuo casado com a minha esposa, que nem sonha com essa história, senão ela vai me botar pra fora de casa e me bater, mais uma vez”. Sim, ele apanha, já chegou a ir parar num hospital após forte agressão da mulher. Só não faz parte das estatísticas de vítimas da Lei Maria da Penha porque tem vergonha de contar a sua história em uma delegacia. Para complicar mais ainda seu caso, descobriu recentemente que sua esposa tem um amante.

 

Veja o relato desse homem, que se diz carente e solitário

Estou casado há 10 anos com uma mulher que só me critica. Ela tem suas qualidades, é uma ótima pessoa, honesta, temos os nossos momentos bons, vamos ao shopping, saímos de mãos dadas e tudo mais, até nos relacionamos bem, principalmente depois que eu saio com outras mulheres, sem ela saber, claro! Aliás, parece que tudo fica mais intenso quando isso acontece, mas logo o relacionamento volta a murchar.

Nos separamos duas vezes, mas voltamos. Traição sempre foi o motivo das separações. Nessas duas vezes, ela me mandou embora de casa. Eu fui, mas logo me deixava voltar, sempre com a condição de que não haveria mais infidelidade da minha parte. Eu prometia, mas não resistia.

Minhas buscas extraconjugais são motivadas pela falta de carinho da minha esposa, que tem por hábito me ofender.  Passei então a procurar quem me dava atenção e não ficava só na cobrança. Encontrei e gostei da ideia, desde então não parei mais.

A primeira traição começou no segundo ano de união, em um chat de relacionamento. Eu sempre me classificava nessas salas de bate papo como “o homem ideal”. Tinha um bom papo e a mulherada caia em cima! Nunca revelava meu estado civil, salvo para uma delas, que está comigo até hoje. Só o que ela não sabe é que ela não é minha única parceira fora do casamento.

Os anos passaram e eu consegui manter essa minha situação de vida dupla, tripla. Como eu trabalho na rua, sempre consegui administrar muito bem tudo isso e assim seguia, sem a Marta saber de nada, até que um dia ela descobriu que eu estava saindo com alguém.  Ficou furiosa comigo, mas preferiu descontar tudo na amante, que nem sonhava que eu era casado. Minha companheira decidiu manter o casamento, sob a condição de que isso não se repetiria.

O casamento seguiu, mas logo vinha aquele desejo de procurar quem me entendesse, me aceitasse. Tive outro caso depois com uma mulher que minha esposa conhecia. Essa também sabia que eu era casado, mas não ligou. Inclusive, ela foi o motivo da minha segunda separação. A Marta descobriu, passou a ameaçar a mulher e me botou para fora de casa mas, alguns dias depois, eu já estava de volta, só que na ‘condicional’. Tinha que viver na linha, não desviar, mas era difícil.

Difícil também era conviver com as desconfianças da minha esposa. Certo dia ela pegou uma conversa minha no celular e logo deduziu que havia traição – e havia, apesar de eu negar. Enfurecida, ela jogou todos os objetos que encontrou dentro de casa para cima de mim, até me machucar gravemente e eu ir parar no hospital.  Nessa mesma época, chegou a atear fogo em alguns pertences meus e a cada suspeita era mais agressão e ameaças constantes. Ela me ligava dizendo que se eu não chegasse em casa em cinco, dez minutos, destruiria meu computador ou algo nessa linha. Passei a sentir medo dela, mas continuei em casa, dormia com um olho aberto e outro fechado, no quartinho dos fundos, sempre de porta trancada, até a gente se entender e tudo passar. Ainda assim, eu confio, desconfiando.

Nesse meio tempo, tive outros casos, mas prefiro pular para última, infelizmente a última, por quem eu realmente me apaixonei! Levei um golpe inesperado. Conheci essa mulher na internet, num aplicativo de encontros. Ela morava perto da minha cidade. Tudo foi muito fácil. Eu disse que era divorciado, ela também era. Tínhamos uma boa sintonia. Pra ficar mais tempo com ela, arrumava sempre uma desculpa de viagem de trabalho para a minha esposa. Passamos Natal juntos! Chegamos a namorar sério. Até dormir na casa dela eu dormia. Com ela não havia cobrança, nem crítica, apenas elogio, atenção, carinho, só o que eu não sabia é que ela era mais esperta do que eu pensava. Cai na rede, literalmente!

Depois de seis meses de namoro, ela resolveu me testar, criando um perfil falso na rede social. Me convidou para amizade e eu aceitei. Passamos quatro longos dias conversando muito, até ela marcar um encontro. Eu disse exatamente que roupa estaria vestindo e que horas chegaria. Cheguei e dei de cara com ela, que limitou a me dizer: prazer, eu sou a Nádia*. Sim, se apresentou com o nome que inventou na internet e eu caí feito um pato.  Fiquei surpreso ao encontrá-la, cheguei até a pensar em coincidência, mas não deu tempo de fazer nada. Ela acabou com a farsa! Confesso que me senti traído por ela, um homem sem valor, uma coisa, um objeto.

Para complicar ainda mais, descobri que minha esposa tem um amante. Bem que eu desconfiava que ela andava muito alegre nos últimos tempos. Está até mais bonita, mais cheirosa. Pois é, fui duplamente traído!!! Eu, que queria pegar um galho sem soltar o outro, sem pisar no chão, agora vejo que perdi esse chão.

Aprendizado? Não brincar mais com o sentimento dos outros. Pretendo me separar, só estou esperando um bom motivo, uma briga, alguma coisa assim, porque traição assim, não dá.

 

*Os nomes foram trocados a pedido do entrevistado

(Texto de Claudia Rato)

 

 

Já que hoje é o Dia da Poesia…

Hoje comemora-se o Dia Nacional da Poesia. A data foi escolhida em homenagem a um dos maiores poetas brasileiros: Castro Alves, que nasceu em 14 de março de 1847. “As duas flores” é uma de suas magníficas obras:

AS DUAS FLORES

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu…
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar…
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas… Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

(Castro Alves)