Ela tenta, a todo custo, trair o marido e não consegue, mas…

Essa é a história de J.A.C.B, assim quer que seja mencionada, imposição sua, já que não queria ter um nome qualquer descrito que não fosse o seu, mas não poderia explicitar de quem se tratava. E como sempre sonhou em ter suas iniciais – que herdou do marido – em um texto de revista feminina sobre comportamento, eis que será tratada desse modo, no caso, aqui em nosso blog.

J. estava casada. Essa novela já durava mais de cinco anos, entre alguns intervalos. Nunca havia traído o esposo, embora merecesse, segundo ela.

A. sentia uma necessidade imensa em atraiçoar o amado. Há muito que não via uma atitude romântica dele, uma surpresa, um carinho especial, um regalo, uma regalia sequer e, pior, descobriu que o cara era infiel. Decidiu então acabar o relacionamento, mas antes precisava dar o troco.

Seriam só mais cinco meses de junção, tempo suficiente para se divertir bastante por aí. Pra quem nunca o havia traído, B. só pensava agora nos momentos em que estaria nos braços de outros.

Mas, por onde começar? Como o tempo era curto, resolveu resgatar seus casos antigos, seria mais fácil reencontrá-los…Nisso, a tecnologia ajudou bastante. Pronto, pelo menos três deles já faziam parte de seu cotidiano de conversas virtuais.

Marcou com um dos seus ex. Nesse dia, J. estava radiante, ria à toa, nem ligou pro marido grosseiro e mal humorado.“É hoje”, pensava ela, com um largo sorriso estampado no rosto.

Pronto. Combinado. Os dois sairiam após o expediente do trabalho. As horas pareciam voar naquele dia, então ela adiantou tudo como pôde. Sem que seu chefe percebesse, fez as unhas, dos pés e das mãos no meio do trabalho – nem viu que derrubou quase metade do esmalte vermelho na nota fiscal do cliente mais exigente -, arrumou o cabelo lá mesmo também e não saía da conversa eletrônica com o rapaz. Estava numa alegria que só – tudo pra ter o gostinho da vingança.

A sensação era maior ainda por saber que quem a levaria até o encontro seria o próprio marido, que a buscava diariamente de moto no trabalho.

Nesse dia, inventou uma desculpa de que teria que ir até a filial da empresa. Então, ele a levou até um pseudoendereço, próximo a um shopping, perto do barzinho, local marcado com o ex.

A sensação que ela tinha era de que o mundo inteiro a sua volta a estava olhando sabendo o que faria nas próximas horas e, melhor, que todos a apoiavam – era sorriso para todos os lados. Sua impressão era de que quando beijasse o cara apareceriam no céu mais fogos de artifício que os queimados no Réveillon de Copacabana.

Descabelada e cheirando a peça de moto queimada, assim que o marido a deixou, a moça tirou da bolsa seu kit de encontro secreto, com direito a maquiagem, vestido colado e exuberante, lingerie nova e tudo mais.

Antes mesmo de chegar ao shopping, teve que despistar a cunhada, que justamente naquele dia resolveu sair às compras e a encontrou sem querer na rua, não foi fácil enrolar a irmã do marido, mas conseguiu.

A ideia era justamente chegar antes do antigo namorado para se arrumar, quando, de repente, o celular dela toca e era o tal ex. “OI J. ‘inha’, tudo bem? Já chegou”?, perguntou ele. “Estou chegando”, disse ela. “Ok eu vim mais cedo e estou no shop…”. Mal ele disse onde estava para ela se deparar de frente com ele – que, por sua sorte, não a viu. De cara lavada, cheirando à esposa de motoboy, calça jeans e camiseta com a logomarca da empresa, não poderia aparecer desse jeito.

J. deu meia volta e foi parar no outro lado do shopping, pra se transformar na musa que o rapaz esperava ver. Parecia uma adolescente à espera do namorado. Bala de hortelã na boca, cabelo jogado pra um lado, jogado pro outro, como se fosse sua primeira vez…

Se encontraram e a sensação da traição aumentava, era uma alegria que só. Ela não estava em busca de uma paixão – o que queria era apenas beijar o cara e ir pra cama com ele, só. Nada de sentimentos.

Só o que ela não sabia é que ele não poderia fazer nada naquela noite, já que havia infartado há poucos dias e não podia sentir fortes emoções. Ou seja, toda aquela produção, alegria contagiante do dia foi por água abaixo – restou beber umas três taças de vinho, comer uns petiscos, remoer o passado, receber um buquê lindo de flores e voltar para o endereço combinado à espera do marido, naquela moto poluente e barulhenta! Mas nem um beijinho? Nada, segundo recomendações médicas, jejum total!

Num primeiro momento, ela chegou a achar que tudo não passava de desculpas do moço. Baixou aquela sensação de, os anos passaram, eu devo estar horrível, velha e chata!

Enfim, ao ser deixada pelo ex-infartado, A. deu conta de tomar um café num bar de quinta pra tirar o cheiro do vinho, voltar ao seu uniforme, jogar no lixo as lindas rosas e esperar pelo “maridão” que, pra sua raiva aumentar mais ainda, estava feliz da via, cantante e sorridente.

Plano B – resgatar o lindo dos olhos azuis. Nas redes sociais marcou um novo encontro num outro “trabalho até mais tarde na filial”. Lá vai o atual levar a esposa para o tal endereço pra ela ir para o tal shopping, vestir a tal roupa e esperar o tal cara.

Mal ela sabia que aquele homem meigo, lindo e fofo havia se transformado em um paranoico. O homem passou a ter uma espécie de tique, virando todo o rosto para o lado direito cinco vezes consecutivas em intervalos de um minuto e meio e a cada água que bebia abria uma bolsinha que mais parecia uma farmácia para tomar cinco comprimidos, um de cada cor, de uma única vez.

Nem mesmo aquela sensação de estar cada vez mais próxima da traição a manteve nos eixos. Pediu um minuto para ir ao banheiro e não voltou mais naquele boteco. Bloqueou o contato com o psicopata e partiu em busca do plano C.

Os dias passavam e nada de trair o desgraçado. Mais uma tentativa. Dessa vez com o professor de educação física que havia saído algumas vezes no passado.

O encontro foi marcado em outro local, num sábado, dessa vez na casa do rapaz, num lugar afastado. Tudo bem, o marido tinha um curso no final de semana. Então, a vingança seria melhor ainda. Ela não só passaria algumas horas com o “saradão” da academia, e sim uma noite inteira. Seria uma vingança e tanto!

Chegou ao local. No lugar do portão, um cercado velho de madeira e alguns cachorros, que faziam a vez da campainha. Era uma chácara, fruto do dinheiro que recebeu em sua aposentadoria por tempo de serviço. Já não mais tão forte como tempos atrás, barriga saliente, barba por fazer e um andar mais calmo, sereno, de-va-gar, ele apareceu para recepcionar a ex.

Uma coisa não podia negar, virou um cozinheiro de mão cheia, mas não era bolo, torta ou seja lá o que fosse que ela queria naquele dia, ela só queria poder trair o marido – transar com outro cara, só isso!

A conversa até que estava boa, ele era um cara de bom papo, mas não tinha vingança que a faria tirar a roupa e ir pra cama com aquele que mais parecia o papai Noel despido pós longa entrega de presentes e que não parava de tossir.

Pra quem sonhou passar a noite em claro com o mister músculo, não conseguiu pregar olho por outra razão, já que praticamente teve que dividir sua rede com as galinhas, gatos, cães e sapos, pererecas, muriçocas…

O tempo foi passando e nada dela conseguir as tais transas, sequer uma, até que teve a ideia de colocar um anúncio em um site de relacionamento que precisava trair o marido em curto espaço de tempo.

Mais uma esperança à vista. Dessa vez era um cara que se dizia bonito, inteligente, safado, casado, entre outros atributos de quem também queria aproveitar uns momentos de prazer. O cara não apareceu, ou até mesmo apareceu e resolveu desaparecer.

Mesmo sem alcançar seu objetivo J. decidiu sair de casa. Mudou de apartamento. Seu vizinho de frente era o cara mais lindo do mundo. O primeiro beijo levou três meses pra acontecer, a primeira transa cinco minutos após. Estão juntos há dois anos, felizes da vida, e essa foi a sua melhor vingança.

 

(Imagem ilustrativa)

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