O pijama libertador

O marido de Lara era do tipo cheio de toques e chatices. Muitas das suas maluquices ela até achava graça, mas outras a deixavam no mínimo pensativa.

Imagine um dia de frio, muito frio, daqueles que a vontade é entrar no chuveiro fervendo, quente, tão quente a ponto de quase arrancar a epiderme, e depois sair e colocar um pijama bem quentinho e ficar em casa, lendo um livro, sem fazer mais nada. Foi o que Lara fez. Era início do entardecer.

Aquela cena de ver a mulher andando de pijama pela casa abespinhou o rapaz.

“Roupa de dormir é para dormir”, disse o bonitão. E quando ele cismava com algo, nada mudava sua opinião.

Ela estava tão a vontade naquele conjuntinho xadrez agradável que nem ligou para a opinião dele e foi para o quarto deitar um pouco. Mas seu humor sarcástico não a deixou quieta. A cada meia hora, saia para fazer algo na sala ou na cozinha, na maioria das vezes para provocar o parceiro. E cada vez que saía, ora para beber água, ora para ir ao banheiro ou pegar algo na sala, trocava de roupa, vestindo algo “adequado” para usar em casa. Não economizou nos looks com seus lindos vestidos de gala, incluindo sapato alto, brincos, anéis, colares…

Ao dormir, o rapaz deitou na cama com a mesma roupa do corpo usada o dia inteiro. Foram apenas três cutucões no ombro do moçoilo para ele entender que “dormir é com roupa de dormir”. Ele não gostou muito, mas colocou seu pijaminha de bolinha, virou para o lado e apagou num ronco só.

No dia seguinte, Lara acordou bem cedinho, fez suas malas e foi embora. Em sua primeira noite de casa nova resolveu dar uma festinha para os amigos.

Foi a melhor festa do pijama da sua vida!

A lambreta certa

Somente agora Silas começa a desfrutar daquilo que o mundo inteiro já não consegue mais largar. Pois é, ainda meio sem jeito para transportar seus pensamentos no minúsculo teclado do seu celular, o rapaz tem aproveitado sua liberdade para escrever o que bem entende a quem quiser.

Isso porque Lara era seu controle, distante ou remoto. Morria de vergonha de dizer o porque de não ter celular, mas todo mundo sabia que a esposa – agora ex – não permitia, por não confiar, segundo ela, nem dez por cento no rapaz.

E olha que os vinte anos que viveu com a Lara foi o melhor marido e o genro que toda a sogra sempre sonhou em ter. Em sua lua de mel, fez questão de levar os pais da esposa.

Ah, mas logo que se separou, sua primeira atitude foi comprar um belo e caro smartphone, mesmo não sabendo quase mexer em nada. Assim que entrou na loja, se deparou com uma compradora que parecia conhecer, mas não sabia de onde. Até que uma voz fanha e grossa ecoou por detrás de Silas.

_ Garrafão?

Ainda meio sem entender muito, parou pra pensar, mas logo veio em mente de quem se tratava – Luan, o “gatinho da 6ª B” que encantava todas as meninas do colégio e criador do apelido de Silas na escola. Dito e feito, Mariana, a estudante por quem Silas foi apaixonado, mas nunca teve coragem de sequer chegar perto por vergonha da sua fundisse de garrafa com os mais de 12 graus de astigmatismo, misturado com miopia, e até mesmo um pouco de estrabismo, havia se casado com o rapaz e lá estavam os três, frente a frente.

No passado, Luan era grande amigo de Silas, mas o que ele nunca soube é que sempre que pensava criar coragem para falar com Mari, o tal bonito dava um jeitinho pra atrapalhar o encontro. Somente se deu conta do amigo da onça que tinha quando já era tarde demais. Por uma semana, Silas mandou bilhetinhos para Marina, sem revelar quem era, mas a moça passou a se encantar – sua sedução e charme sempre estiveram nas palavras, tanto que foi poeta por uns anos até desistir, porque poesia “não dava camisa pra ninguém”, segundo sua ex-mulher e o cara acabou cursando física quântica. Voltando aos bilhetes, na sétima folha de caderno, deu a tacada final: marcou um encontro com Mari, dizendo que fariam um passeio numa lambreta vermelha. Daria três buzinadas e estaria vestido de jaqueta preta e capacete azul.

Prestes a sair de casa, Silas teve o contratempo de ter que trocar o pneu da motoca. Furou “sem querer” – pequena tramoia do pseudoamigo. Enquanto isso, o raparigo, com uma lambreta vermelha emprestada do primo, foi o autor das esperadas buzinas …e a moça, claro, pôs-se a subir na garupa e nunca mais desceu…

Numa fração de segundos dentro daquela loja de departamentos, um filme passou na memória de Silas. Respirou fundo, conversou com o casal e já estreou o celular com os primeiros dois contatos telefônicos em sua agenda.

Aprendeu rapidinho a manusear o tal aparelho e logo conseguiu reencontrar os amigos do colégio nas redes sociais e criar um grupo com todos. Um deles trabalhava com turismo e tratou de fazer um pacote de quatro dias num navio para toda a turma. A maioria topou, incluindo a dupla.

Luan não era muito de beber, mas uma taça de vinho foi o suficiente para o rapaz apagar e acordar somente no meio do dia seguinte, já que seu amigo colocou um certo pozinho que causava uma sonolência profunda.

Dispersos, cada um foi para um canto e ele se aproximou de Mariana, até que seus dotes poéticos vieram à tona e acabaram ficando juntos no convés. A conversa foi reveladora. A amada de Silas também bebeu um pouco e acabou falando das esquisitices do marido, que tinha mania de colecionar sacolas de supermercado, cartões de telefone e tinha um hábito um tanto quanto estranho: só conseguia transar de meias e óculos garrafão.

Depois da transa – boa pra caramba – Silas declamou trechos de um poema que havia escrito e enviado a ela no passado: “Minh’alma por ti clama, meu corpo por ti chama, minha linda Mariana”.  Sem palavras, a moça entendeu a trapaça do marido.

Logo que o navio foi atracado, todos avistaram uma faixa, em letras garrafais, com os dizeres: Luan, gatinho da sexta série, você sempre foi um fracote – assinado Mariana.

Enquanto isso, uma lambreta vermelha surgiu e aos poucos o mais novo casal da turma foi desaparecendo na longa estrada da vida.

Cachorra engole anel de noivado de sua dona

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Certa vez, fizemos uma campanha na página do facebook do “Pra mim você morreu” para saber se alguém teria uma história bacana sobre aliança para contar. Recebemos alguns relatos bem interessantes. A dona da história mais curtida ganhou um livro e ainda nos enviou uma selfie e um depoimento para contar o que achou da leitura.

Pois bem, algum tempo depois, estamos aqui, novamente, para falar novamente dessa joia tão especial. Com certeza esse caso também nos renderia vários likes.

Olha só o que fez uma cachorrinha lá na África do Sul: sem querer, claro, engoliu o anel de noivado de sua dona. Sabe-se lá como a moça percebeu o ocorrido, mas logo tomou providências.

Levou a “fera” ao veterinário, que passou por procedimento de raio x e lá estava ele, redondinho, bem no estômago da bichinha. Lá mesmo deram um remedinho para enjoo e a tal da aliança retomou às mãos da noiva pelo mesmo lugar que entrou.

Eu fico aqui pensando: o que teria feito um cão engolir algo tão especial? Seria um sinal, algo do tipo, não case?

Bom, se ainda assim a dona resolver subir ao altar, fica aqui uma sugestão: que as alianças sejam levadas pela “daminha-cão”, que tal?

(Imagem: Reprodução internet)

A foto do seu ex pode virar um hambúrguer

Se na próxima semana você for viajar para os Estaites, não deixe de levar umas fotinhos do seu ex. Não, não é para matar a saudade do fulano ou da sicrana e sim para usar a imagem do beltrano ou beltrana para saciar a fome ou explorar a sua gula.

Calma que você vai entender: a rede Burger king lançou nos Estados Unidos uma campanha para o Valentines´day (Dia dos Namorados de lá), comemorado em 14 de fevereiro. Quem levar uma foto do ex ganhará um Whooper na faixa.

Tá vendo, pra quem dizia que ele ou ela nunca valeu nada, pelo menos a figura agora vale um lanchão, olha que troca boa: uma foto do desgramado (a) por um hambúrguer.

E se por lá a rede de fast-food está investindo nos desenlaces, aqui no Brasil a marca lançou o “Combo da Abstinência”, sob forma de deboche ao programa sugerido pela ministra Damares Alves de incentivo à abstinência sexual dos jovens, medida um tanto quanto, sei lá até o que falar sobre isso, da. Pra quem ficou curioso, aqui o BK oferece o Rebel Whopper, sanduíche feito com hambúrguer à base de plantas + refri e batata frita, com precinho especial –  o slogan da promoção é “os prazeres da carne, mesmo sem carne”.

Se a gente parar para pensar, essa campanha no Brasil tem até uma relação com a ação norte-americana, afinal de contas, se é ex não rola mais nada, correto?

Bom, está dado o recadinho, vai curtir a liberdade na terra do Tio San, leva a fotin…

Para divorciar na Dinamarca é necessário passar por terapia de casal

Quem já passou por um divórcio ou assistiu a alguma cena de novela ou filme num cenário desses sabe que na hora H sempre tem um juiz que pergunta algo do tipo: tem certeza de que é isso mesmo que você quer? Pensando bem, essa seria uma boa indagação para fazer casório, mas, enfim…

Por alguns poucos segundos, o magistrado parece mudar de profissão, passando a exercer o papel de psicólogo. Como é claro que a tal psicologia instantânea não funciona nesse momento tão delicado, o resultado é sempre o desfecho da relação.

Para evitar chegar a esse ponto, tem quem agora passou a ser obrigado a fazer terapia de casal na terceira semana que antecede a separação – calma, pode se separar à vontade aqui no Brasil porque a tal obrigação é na Dinamarca.

Segundo o jornal The Guardian, essa foi uma imposição do Governo e que ocorre por lá desde  abril deste ano. Isso aconteceu após a constatação de altos índices de divórcio no país. A proposta é tentar evitar o término da relação ou ao menos tornar a situação mais amigável possível entre os envolvidos.

De acordo com o jornal, a medida foi vista de forma positiva entre os cidadãos dinamarqueses. O processo não é tão complicado: a terapia pode ser feita por meio de um aplicativo e faz uma espécie de preparo para esse momento, de modo a evitar situações de conflito, violência, entre outros fatores que aqui no Brasil, por exemplo, estamos muito acostumados a presenciar.

Quem ganha com isso são os filhos, já que os pais acabam recebendo orientações sobre como lidar com essa mudança e aceitar a separação sem discussão, brigas, intrigas.

Taí, essa medida bem que poderia ser uma boa saída aqui no Brasil, mas nesse caso, a sugestão é que essa tal terapia começasse não no fim no casório e sim já nos três primeiros meses de união, sendo renovada a cada ano.