O pijama libertador

O marido de Lara era do tipo cheio de toques e chatices. Muitas das suas maluquices ela até achava graça, mas outras a deixavam no mínimo pensativa.

Imagine um dia de frio, muito frio, daqueles que a vontade é entrar no chuveiro fervendo, quente, tão quente a ponto de quase arrancar a epiderme, e depois sair e colocar um pijama bem quentinho e ficar em casa, lendo um livro, sem fazer mais nada. Foi o que Lara fez. Era início do entardecer.

Aquela cena de ver a mulher andando de pijama pela casa abespinhou o rapaz.

“Roupa de dormir é para dormir”, disse o bonitão. E quando ele cismava com algo, nada mudava sua opinião.

Ela estava tão a vontade naquele conjuntinho xadrez agradável que nem ligou para a opinião dele e foi para o quarto deitar um pouco. Mas seu humor sarcástico não a deixou quieta. A cada meia hora, saia para fazer algo na sala ou na cozinha, na maioria das vezes para provocar o parceiro. E cada vez que saía, ora para beber água, ora para ir ao banheiro ou pegar algo na sala, trocava de roupa, vestindo algo “adequado” para usar em casa. Não economizou nos looks com seus lindos vestidos de gala, incluindo sapato alto, brincos, anéis, colares…

Ao dormir, o rapaz deitou na cama com a mesma roupa do corpo usada o dia inteiro. Foram apenas três cutucões no ombro do moçoilo para ele entender que “dormir é com roupa de dormir”. Ele não gostou muito, mas colocou seu pijaminha de bolinha, virou para o lado e apagou num ronco só.

No dia seguinte, Lara acordou bem cedinho, fez suas malas e foi embora. Em sua primeira noite de casa nova resolveu dar uma festinha para os amigos.

Foi a melhor festa do pijama da sua vida!

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